Conhecendo a Si Mesmo I
O que Somos?
Essa é uma pergunta tão profunda e que pode ser respondida em tantas escalas. Na matéria somos um conjunto de células e terminações nervosas, no universo quântico somos trilhões de átomos numa dança eletroquímica, em nossa mente somos impulsos de ideias e sentimentos suaves ou espontâneos construídos por nossas diversas experiências.
Enfim poderia ficar o dia todo nos separando em partes, pois as partes maiores são sempre feitas de partes menores e menores… Mas aqui nesse momento para fins de reflexão e autoanálise vamos chegar a uma limitação, jamais devemos esquecer de nossa natureza infinita e das diversas partes que nos faz em Um. Porém como pesquisadores sem hubris, vamos nos ater a uma teoria específica.

Contexto Psicológico
Em frente vamos definir o Ser Humano em sua totalidade psíquica como consciente e inconsciente, utilizando a obra de Jung que foi vastamente testada clinicamente em casos reais pelo mesmo.
Dentro do contexto psicológico, conforme a imagem ilustra acima, somos divididos entre o consciente (o círculo cinza superior) e o inconsciente (círculo inferior).
Vou tentar abstrair para que o entendimento seja mais fácil em uma alegoria, é como se nós estivéssemos (o Ego), em uma sala dividida entre escuridão e luz, na escuridão temos o inconsciente e na sua parte extrema temos o inconsciente coletivo e os arquétipos matrizes.
Na parte iluminada está a consciência e em seu extremo está a persona, que é a pessoa que buscamos representar no mundo.
Se não temos uma busca profunda pelo entendimento de nós mesmos e não tentamos traduzir o porquê do que sentimos e pensamos, acabamos presos na extremidade iluminada da sala, virados pra uma parede. É um mundo confortável, aconchegante, conveniente, mas sem dúvida pequeno e limitado, sem espaço para evolução.
Nesse caso, viramos as costas para tudo o que é desconfortável e inconveniente: Nossas sombras e nossos complexos, fingimos que o mundo interno não existe e buscamos nos fundir com a nossa máscara.
Porém, se percebemos o quão pequeno é o nosso mundo e o quão irrelevante é o pequeno canto em que nos escondemos, passamos a querer explorar mais esse ambiente e então notamos que o local mais adequado a se estar, onde se há a verdadeira segurança é no centro do ambiente, entre a luz e a escuridão.
Mas nesse ponto de vantagem, somos capazes de enxergar tudo o que está na escuridão e dói, nos causa repulsa, aquilo faz parte de nós mesmo? Então somos os responsáveis pelas coisas ruins que nos acontecem? Eu não mereço ser o centro das atenções, o coitado, a vítima?
Rapidamente corremos de volta para nosso cantinho aconchegante.

A Sombra, Arquétipos e Complexos
Olhar pra dentro dói, se você nunca sentiu vergonha de algo que fez, ou se você nunca se achou ridículo por carregar alguma mágoa ou desaforo de infância e vestir aquilo como se fosse seu escudo até hoje é porque você nunca verdadeiramente olhou para dentro.
Tudo o que evitamos observar está lá, essa é a nossa sombra, é como um Ser selvagem, pilhando, quebrando e transformando em Caos tudo o que toca.
Ela nunca deixa de existir, quanto menos olhamos para a mesma, mais força ela tem e ela influencia diretamente nossas ações, a maneira que vemos o mundo e que vemos as pessoas.
Os pensamentos e sentimentos que temos são altamente distorcidos e modulados por nossas sombras. Elas são as guardiãs do caminho entre a mente e o coração enquanto não buscamos esse entendimento de nós mesmos.
Quando sentimos raiva, criamos expectativas ou fantasiamos situações que não existem normalmente é obra de nossas sombras, essas que são formadas por agrupamentos gravitacionais chamados de complexos. Complexos são formações inconscientes de acontecimentos que nos marcaram fortemente e que decidimos relegar ao inconsciente por não darmos a devida atenção e desprendimento na luz da consciência.
Logo se percebe que nossa alegria e contentamento com a vida está diretamente ligada a essa parte da nossa existência, porém eu vou além, toda a nossa vida está ligada a psique e nossas sombras, nós escolhemos nossos relacionamentos, gostos e empregos baseados em nossa sombra, baseados no que nos incomoda ou não, no que nos move e alimenta nosso Caos, no que nos é conveniente.
Todo complexo por trás é apoiado por um símbolo arcaico, também chamados de arquétipos. Existem tantos arquétipos quanto estrelas no céu, alguns mais comuns e outros menos, toda psique Humana é formada por esses símbolos, eles são necessários. Os complexos por fim não são o bicho papão no armário, devemos abandonar de uma vez por todas o lado polarizado de pensar e achar que nosso inconsciente é ruim, para que nossa Anima/Alma/Vontade desperte e tenhamos ânimo de nos mover, agir, ser, no mundo, precisamos dessa energia volátil do inconsciente.
Então o que fazemos? Devemos lutar contra esses monstros antediluvianos ancestrais? Devemos nos render a eles e virar marionetes de nós mesmos?
A resposta é não, não devemos lutar ou nos render, devemos nos aliar.
Conforme dito, em nossa psique nada é por acaso, tudo tem um motivo, os complexos instintivamente são nossos protetores e guardiões da consciência e conscientemente são nossas maiores fontes de força e sentimento.
O segredo é o conhecimento, a Luz do conhecimento ilumina a escuridão dos complexos.
Esses complexos podem estar alinhados a relações com Pai, Mãe, Religião, Sobrevivência, Sexualidade e muitos outros.
A maneira que fantasiamos e distorcemos o mundo através de nossos complexos, cria a nossa realidade interior, nenhum Ser Humano enxerga o mundo da mesma forma que o outro, acredito que o primeiro passo para descobrirmos a nós mesmos antes de mergulhar nesse mundo de arquétipos e complexos é descobrir que tipo de pessoa nós somos, pois o tipo de pessoa que somos é a “Reação”, da “Ação” que os complexos formaram em nós através do Tempo.

Funções Psicológicas
Temos também interfaces que são nossa maneira de interagir com o externo e o interno, que podem ser consideradas clarões de luz na escuridão, como pequenos fósforos que acendem e revelam novas porções da escuridão que podem se tornar conscientes, tais interfaces podem ser divididas entre “Sentimento, Pensamento*, Sensação e Intuição”. São as funções psicológicas que todo Ser Humano possuí.
Essas funções são a linguagem de nosso inconsciente, é a maneira que a nossa psique tem de nos mostrar a informação que precisamos nos conscientizar, já que o inconsciente não segue a razão nem a lógica.
- Por Pensamento, se difere de imaginação ou reflexão, é a ideia espontânea da mente.
Sentimento e Pensamento, Sensação e Intuição, essas funções trabalham em forma de antítese, todo Ser Humano elege uma função dessas duplas para agir conscientemente, de acordo com seu desenvolvimento e sua maneira de agir enquanto relega a outra ao inconsciente.
Por exemplo, um Ser Humano pode ser Sentimento e Intuição Extrovertido (consciente e ativamente visando se exprimir por essas funções). Porém consequentemente ele será Pensamento e Sensação Introvertido (essas funções não deixam de existir e agir, se relegam então ao inconsciente, movendo nossa vida sem perceber).
Diferentemente do que a psicologia mais moderna acredita (tipos de personalidade, MBTI etc.), Jung acreditava que existiam infinitos tipos de Seres Humanos, que não havia como relegar as pessoas a determinados arquétipos pré-definidos.
Assim também acredito eu, num primeiro momento podemos nos centralizar e focar nessas funções e como lidamos com o mundo, mas não acredito que devemos parar por aí em nosso autoconhecimento, temos que ir cada vez mais a fundo até descobrir nossa verdadeira identidade e unicidade.
É impossível de se descrever completamente um Ser Humano em algumas frases, então deixarei uma ideia geral abaixo de cada Função Psicológica e o leitor interessado pode ser capaz de refletir ou pesquisar mais sobre cada uma delas para entender se ela encaixa.
Pensamento
Pessoas que possuem como função psicológica principal o Pensamento, são muito racionais e objetivas, se atém primariamente a lógica e a razão, formam ótimos pensadores, porém tendem a ter um grande problema para se conectar a seus Sentimentos (sua função inconsciente), costumam também ser pouco empáticas e podem acabar se tornando muito críticas ao se desequilibrarem, vendo as pessoas e os objetos ao seu redor como números e estatística.
Sentimento
Pessoas que possuem como função psicológica principal o Sentimento, são pessoas sensíveis que levam o que vem do seu interior na maior parte das vezes acima da Razão e dos Fatos, normalmente são queridas por levarem em consideração também o que as outras pessoas sentem. Porém caso desequilibradas podem se tornar hábeis manipuladores, muitas vezes manipulando até a si mesmas, fazendo se acreditar que estão numa situação pior do que realmente estão e que são vítimas, onde o mundo todo as deve recompensar por isso.
Sensação
Pessoas que possuem como função psicológica principal a Sensação, tendem a priorizar seu bem-estar e prazer. Tentam construir o espaço a sua volta e suas relações de acordo com o que lhe faz bem e lhe é conveniente. Não se importam muito de correr atrás da mudança desde que estejam numa boa posição. Caso se tornem desequilibradas, podem se tornar muito mentirosas e sedutoras e são capazes de passar por cima de qualquer questão se acreditarem que aquilo leva a seu bem-estar, o foco e prioridade número um se torna sempre o Si e sua boa condição.
Intuição
Pessoas que possuem como função psicológica principal a Intuição sempre visam criar algo, descobrir algo e ser inovadores, estar na ponta e no limite das suas capacidades, porém tem dificuldade de ter uma vida estável e se manter numa situação repetitiva e previsível. Ao se tornarem muito desequilibradas não possuem ânimo e paciência para nada que não seja exatamente o seu foco naquele momento, também os levando a evitar qualquer conceito que não seja seu próprio, não dando ouvidos ao que não vier de sua voz interna.

Exercício Mental
Tendo essa resumida e humilde descrição apresentada, devemos saber que todos nós temos essas 4 funções, mas pelas nossas experiências e predisposições acabamos por nutrir algumas delas acima das outras. Uma pessoa no centro de Si, ou seja, no centro da sala, que enxerga claramente sua escuridão, possui plena consciência das 4 linguagens de sua psique, se temos interesse no autoconhecimento é essencial que estejamos sempre em contato com essas funções sem reduzir as outras.
Caso tenhamos alguma espécie de preconceito ou desfavor a alguma dessas funções acabamos por jogar as mesmas no véu do inconsciente, de onde continuam a nos influenciar porém de maneira incompreensível, muitas vezes nos pegamos em situações onde não sabemos explicar por que agimos de forma X ou Y, somos incapazes de encontrar a coerência naquele momento se o observamos de perto e a causa jaz em nossas funções inconscientes.
Então é momento de refletir, nos posicionar em relação a Quem Somos, pois isso nos dará terreno e substrato para enxergar Por que Somos.
Até a próxima!
(Esse texto foi criado sem uso de IA.)